Nem sempre as conseguimos matar, as saudades, no entanto temos situações que as combatemos.
O termo saudade dá pano para muitas mangas ( quer de blusas, vestidos, blaisers e afins) e a meu ver representa o envolvimento ( profundo ou não) de dois seres( sim, porque não temos saudades só de pessoas), ou a passagem de alguém por um lugar.
Depois, o que mais me enerva é que tenho saudades de tudo. Tenho saudades de andar de triciclo e imaginar que era taxista; tenho saudades de beber leite por uma palhinha e sujar a camisola toda; tenho saudades dos maravilhosos ovos mexidos da minha avó Mariana; saudades de andar pela horta com o meu Pai, saudades dos mimos da mãe ao deitar; saudades das historias antigas do meu avó António; tenho saudades dos gritos dos meus primos ( Hélder, Sãozinha, Nelson, Nuno e Cristina) a andarmos todos numa enorme bicicleta de 4 lugares; tenho saudades de ouvir a minha avó Manuela ralhar por irmos tocar ás campainhas dos nossos tios;

saudades da letria da minha madrinha: saudades de acordar o meu primo Ricardo e de ele ficar a chorar desalmadamente ( feito doido de rabujem); saudades de andar na Honda do meu padrinho; saudades da escola e das cabulas; tenho saudades de estar no meu quarto a ouvir os Salada de Fruta e a vibrar de emoção; saudades de pequenos grandes segredos...saudades de viver livremente sem tempos, nem espaços. Resumindo, saudades de ser criança.
Tento parar, mas o voo da imaginação levou-me hoje a anos atrás, a tempos

inegualavéis.
Tenho saudades de imaginar em agarrar o Mundo com as mãos de criança e pará-lo, para que a inocencia sobrevivesse para sempre e pudesse voar com ele por entre todos os Homens.
Espero poder dar aos meus filhos, tudo aquilo que obtive em criança e pedir ao Deus Maior que me ajude a ter sempre um pouco do espírito dos menos graúdos, na minha Alma.